Memórias

Ali tinha um guarda-roupa, uma cama... ali era um quarto. O guarda-roupa foi fora jogado, a cama desmontada e o quarto, que ali era, agora está pintado! Na sala havia uma parede desbotada e uns cds, os quais agora tocam lembranças, colocados de uma forma única em cima da estante velha. A sala está vazia, a parede também foi pintada e os cds encontram-se estocados em uma gaveta qualquer. No banheiro não mais se escuta o pedido desesperado que apressava qualquer pessoa a sair de dentro dele, não se escuta os passos arrastados dotados da função de avisar a sua triunfante chegada, não se escuta o pigarro e nem tão pouco sua tosse... todos tão únicos, tornaram-se tão belos! Não há mais aquele rosto, tantas vezes mostrado triste, para ser contemplado e muitas vezes esnobado por alguém que teve um dia cansativo. Que saudade daquele "boa noite" quase dito para dentro, para si.

Palavras

Suas palavras são como os sonhos não sonhados
Como o beijo, não beijado
Como a vida, não vivida
Como aquela lágrima que não suavizou a alma
no momento que foi machucada...

Suas palavras são como as folhas do outono
Que queriam tanto ter um dono,
Mas não sabem o caminho da sua vida

Seu silêncio, seu olhar
todos me falam para eu te deixar passar
mas é muito difícil tomar a decisão de calar

Me ama que farei das tuas palavras
A razão de viver de uma alma magoada
Renascendo das cinzas a essência de um ser
Que tornará o mundo mais justo,
Onde tuas palavras aumentará o desejo de viver de um pobre moribundo.


Meu amor pelo Chaplin


Quando eu era criança, bem pequena mesmo, andava pela casa da minha vizinha com a cabeça baixa toda vez que passava por um quadro que tinha a foto de um homem estranho com um bigode, um chapéu e uma bengala que me assustavam, tinha muito medo mesmo. Fui crescendo e o quadro se tornou insignificante para mim. Um belo dia, desses que ficamos procurando textos na internet, achei um texto lindo que me emocionou muito e que no final tinha o nome de Charles Chaplin como autor, ai pensei: como fui capaz de ter tanto medo de um ser que escreve desse jeito? A partir daí comecei a pesquisar a sua biografia e a ver seus filmes, não foi amor à primeira vista, mas foi amor!

Como não se encantar com uma pessoa que, apesar de ter uma infância tão sofrida, de começar a trabalhar ainda criança e de ter a mãe internada em um hospício, possui um brilho tão verdadeiro nos olhos? Como não achar linda a forma que ele começou a fazer mímica e a dizer tanto com o silêncio, ele diz MUITO com aquele silêncio...

Como não se emocionar com suas obras de arte em preto e branco The Kid, Luzes da Cidade e com o seu discurso PERFEITO de O Grande Ditador? IM-POS-SÍ-VEL não amar!

No final de tudo, o texto que fez eu me encantar com Chaplin não era dele. Fiquei sabendo disso porque ele foi recitado no programa do Faustão e foi dito que era de autoria do Chaplin, no outro domingo Faustão corrigiu dizendo que o verdadeiro autor entrou em contato para dizer que que não era de Chaplin, e sim, dele! Porém, depois de tudo que aprendi com meu querido "eterno vagabundo errante" o texto foi o de menos e ainda bem que eu o li! rsrsrs.

Parte do discurso que Chaplin fez em O Grande Ditador:
O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.


Chaplin morreu no dia 25 de dezembro de 1977 enquanto dormia, deixou uma grande saudade e um sorriso eterno em muitas pessoas!

Uma (quase) carta à Felicidade.

Não sei, talvez a Felicidade goste de deixar as pessoas acordadas quando ela está presente, igual àquele amigo enxerido que te liga de madrugada e reclama da sua voz de enjoo ao falar. Tenho muitas dúvidas sobre ela, talvez goste de pessoas que se joguem no barco e vivam aquele momento, pode ser que ela queira ter motivos e inspirações para poder bater na nossa porta toda charmosa nos chamando para dar uma volta pelo parque ou quem sabe ela simplesmente aparece sem um motivo convincente!

Ah Felicidade, não sei qual é o teu critério para vir me fazer feliz, mas te peço que venhas, te prometo café frio e meu corpo quente, um abraço apertado e se estiveres com fome te faço pipoca com queijo ralado e coca gelada, tu vens?

Sim, iria esquecer, quando você vir me dá aquele abraço não se preocupe com a Tristeza, a mandarei catar coquinhos lá em Itamaracá, mas olhe, preciso que venhas JÁ!

Um abraço com sabor de abraço e aquele sorriso que você me deixou na sua última visita!