A Perda

"Perder é um verbo vago
Pode ser por descuido
Pode ser por estrago
Pode ser que estava escuro
Pode ter sido por descaso
Pode ser no jogo
Pode ser a carteira
Perder queimado no fogo
Ou perder o fogo da fogueira.

A perda é variável
Uma substituível
Outra irreparável
Uma eu esqueço
Tem perda inefável
Tem perda que se perde
Tem perda que é achável
Tem perda que nem nos damos conta
Tem conta que perdemos em aposta
Perde-se a noção quando se fica tonta
Perde-se a visão quando se está nas costas

Há perda injusta
Há perda merecedora
A perda suja
Há perda esmagadora
Perda pra aprendizado
Perda pra amadurecimento
Perda pra sentir calado
Perda pra gritar ao vento
Chinelo, carteira, celular,
Guerra, bingo, jogo de bilhar,
Amigos e farras pra celebrar,
Inimigos que o perdão faz curar.

Diante do mundo não se contabiliza quantas perdas são
Mas mensuro a maior perda a perda do coração
Pois distribuímos pra cada ser que nos cativou
Um pouco de nossa emoção
E quando esses embora se vão
Levam consigo o que antes nos pertencia
Mas faço uma ressalva a algo que nunca se perdia
São as memórias que ficam daqueles que partiram
Não importa se com mágoa ou não
Nada apaga da memória os donos de nosso coração
Pois foi com eles que compartilhamos muito de nossa vida
Em meio a beijos, abraços, brigas e intriga
Foram eles que estavam do nosso lado no primeiro passo tremido
Ou que nos ajudaram com o primeiro coração ferido
Mediante a importância da memória
Viveremos, lógico, o hoje, mas lembraremos do passado com glória
E ainda que a saudade deixe o mais bravo homem ferido
Haveremos de ser felizes pelas memórias do que temos vivido
Pois pior seria se nunca houvesse tido
Tais memórias de momentos tão felizes
E é por isso que mesmo triste
Mesmo que o tamanho dessa tristeza não possa ser aferido
Em meio às lágrimas abriremos um belo sorriso.


Para Amanda Cavalcanti;
Homenagem ao Senhor José Almeida, in memória.
(Autor: Victor Barbosa da Costa)

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