Ao escrever sua história

Tire os parênteses da sua vida, tire as aspas também, esqueça as entrelinhas e entre as suas linhas viva, reviva, sobreviva. Use o marca texto nas situações felizes e o corretivo nas tristes, mas nunca se esqueça que a marca branca deixada pelo corretivo é o resultado de uma coisa que não deu certo, mas que você teve a chance de escrever por cima, agora com mais cuidado e atenção para não cometer os mesmos erros, por que se você errar novamente terá que passar o corretivo de novo e isso estragará sua linha.Use a borracha sempre que puder e recomece a escrita sempre que for necessário, por que nessa vida o que importa não é se você escolheu uma lapiseira ou um estilete para fazer uma ponta, mas sim se você conseguiu a forma do lápis necessária que possibilita sua escrita, logo nunca permita que o instrumento seja maior do que seu objetivo ao usá-lo.

Se não entendeu o parágrafo não sinta vergonha de ler e reler até compreendê-lo, não finja entendimento, não fale com a voz de outro personagem, deixe bem claro quem são os protagonistas e figurantes da sua história e respeite o papel de cada um na sua vida. Faça da sua existência seu livro de cabeceira, leia umas páginas antes de dormir, pense no que poderia ter sido diferente, dê umas cópias de presente de Natal a quem você ama... Seja leve como um poema de Drummond, tenha segredos como nos livros de Agatha Christie, seja simples como os contos de Caio Fernando Abreu, espiritual como os escritos de Paulo Coelho, profundo como o mistério de Clarice Lispector, mas, acima de tudo, que você se reconheça na sua história e que saiba quem é independente do que ou quem seja.

Nenhum comentário:

Postar um comentário