Conversa de botas batidas.

"Você está perdendo a poesia..."

Foi essa frase que estava na minha cabeça hoje, frase dita há tantos anos, depois de tantos atos que eram nossa poesia pessoal. Pois é, a verdade é que eu não entendo muita coisa que aconteceu, não sei dizer o que era em ti verdade e o que era só imaginação; não sei se o que dizias era o que sentias ou se tudo não passava de uma mera obrigação que você mesmo colocou nesse sentimento, que era nosso! O que eu sei de verdade é que tudo que era direcionado a mim hoje é direcionado, do mesmo jeito, para outra pessoa, acredite, são as mesmas palavras de carinho, são os mesmos apelidos, talvez seja até a mesma intenção, e há a mesma frase "talvez o antes não fosse amor". O que é amor afinal? Aquilo que se sente quando se quer (ativando um botãozinho que fica quatro dedos abaixo do umbigo) excluindo tudo que já tenha sido "amor"? É algo que se constrói a medida que se vai conhecendo o outro ou é algo tão estranho que se torna perda de tempo tanta-lo entender?

Eu realmente só posso falar do que é o amor para mim, nas minhas regras eu te amei e ainda hoje é difícil imaginar sentir esse tipo de amor por alguma outra pessoa. Acredito também eu nem queira amar de novo assim, porque quando esse tipo de amor vai embora é complicado e talvez, por respeito a tudo que se viveu, não preciso viver algo na mesma intensidade, pode ser algo mais leve... Sim, eu me permito amar novamente e acredito que isso é possível, pois nas minhas regras amor é algo construível, só não sei ainda como demolir, mas isso também é algo que se aprende...

Hoje o meu olhar me disse que o seu não havia morrido e isso foi estranho, estranho porque é totalmente o contrário daquilo que tu pregas, estranho porque mesmo longe eu podia ler alguns dos seus pensamentos, estranho porque parecia que nada de ruim tinha nos acontecido e parecia tão simples recomeçar. Só parecia.

A poesia nunca é perdida, pensei.
Só é difícil escrevê-la na forma culta da língua portuguesa.
Só é difícil achar a rima perfeita.
Só é difícil parar para tentar entender o mínimo que ela pretende dizer.

Ai eu pensei na quantidade de poesias que não foram escritas por falta de dedicação e entrega, pensei na quantidade de sorrisos e admiração que elas poderiam despertar nas pessoas caso tivessem a mínima chance de vir a existir.

Não faltavam canetas, pensei.

2 comentários:

  1. Não faltaram canetas, faltou pulso suficiente forte e sincero, esse tipo de poesia não se escreve sozinha!! Você tem seu pulso latejante vivo, mas e o outro?? A gente nunca vai saber!!

    Amiga, lindos seus pensamentos e sentimentos!
    :)

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    1. Menina que resposta linda essa, adorei! <3

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