Depende

A única certeza que eu tenho sobre o mundo não é em relação à morte, é relacionada à relatividade das coisas que constituem o mundo. Tudo é relativo: feio, bonito, caro, barato, bom, ruim, gostoso, fino, etc; tudo depende do olhar da pessoa, das experiências e bagagens que cada um de nós trazemos ao darmos nossa humilde opinião sobre algo. A forma que olhamos (olhar no sentido de entrega) é o que define nosso grau de alegria, tristeza ou frustração quando algo acontece; a forma que olhamos define quem somos e como será a nossa reação frente as surpresas do mundo. 

Toda essa ladainha é pra falar sobre um texto que eu li de Gabito Nunes em que ele "define" o AMOR e, diante de toda a relatividade do assunto, essa definição me representou. Pra mim o amor é a coisa mais difícil de aceitar que seja algo relativo, pois seria tão mais fácil uma única definição para todos os seres humanos, tanta gente ia deixar de sofrer e de se doar ao saber que aquilo ali que ela sente não é amor, mas sim frescura. Seria lindo. Mas. Não. É. Assim (igual ao John Green em A culpa é das Estrelas quando quer deixar algo bem claro).

Eu sou o tipo de pessoa que divide a paixão do amor, mas que acredita que os dois podem caminhar juntos. Sou do tipo que acredita que o amor é algo que se constrói à medida que as almas vão trocando energia (defeitos, qualidades, sonhos, manias, loucuras, frescuras) e que, se constrói, desconstrói (isso é algo que eu me obrigo a acreditar), mas o que foi amor antes continuará sendo amor, nada de dizer que foi ilusão ou fraqueza. Isso. É. Ridículo. É ridículo desvalorizar tudo que se foi vivido um dia, é ridículo tirar o crédito da pessoa que te ajudou a crescer e estava contigo nos momentos difíceis só por orgulho ou capricho; a gente faz tanta merda para manter uma imagem que só existe no espelho... ah seres humanos, tão bobinhos.

Seres humanos deixam cicatrizes. Isso é um fato.
Você verá a cicatriz dependendo do ângulo que estiver. Dependendo do seu olhar.
E da sua forma de relativizar. Então, há salvação (uhuuul). 

“Amor não é paixão. Fazer sexo não é fazer amor. Ódio não é amor. Amor não é fogo, não é chama, não é amizade, não é casamento, nem compromisso. Amor não é namorar, não é chorar, não é beijar, não é desejar, não é saudade. Amar não é estar-se preso por vontade. Não é servir quem vence o vencedor. Amor não vai. Amor é o que fica. Amor é resto. Amor é o que sobra do que foi supracitado. Amor não é onda, é o mar. É o companheiro que não abandona depois que todas as fervorosas sensações se foram. Paixão, ódio, saudade, sexo, casamento, desejo são como trens. Amor é estação.”  (Gabito Nunes)



Nenhum comentário:

Postar um comentário