"Você nunca vê que eu sou só um menino, destes tais, que pensam demais..."

Mudamos a nossa forma de ver e interpretar o mundo, trocamos os velhos costumes que não nos cabem mais e adquirimos outros que hoje nos vestem melhor, costumes esses que valorizam a forma atual de como funciona o nosso pensamento sobre as questões do próprio mundo! O mundo se alimenta dele mesmo. Hoje eu estava pensando sobre como o mundo - e, claro, as relações que o move - pode ser um abismo, pode ser mau e perturbador! Sim, falar e pensar sobre isso é muito clichê, mas me diga: o que ainda nunca foi pensado ou dito neste mundo? Parafraseando uma frase dita no filme Her, acredito que tudo que hoje é dito são versões diferentes do que já foi dito por ai, são versões que trazem o que somos a partir do tom do nosso discurso, da verdade e do brilho do nosso olhar! Nossas crises existenciais já aparecem nesse ponto: queremos ter os melhores discursos, elogios, a maior quantidade de curtidas e de amigos e etc. Com isso, nossas relações no mundo (não tem como ser em outro lugar) se sustentam tendo como base uma hipocrisia enjoada, nossas relações embarcam num eterno mergulho profundo na parte rasa das razões da nossa existência!

Essa necessidade de muitos em querer fazer e ser parte de todas as partes do mundo os fazem ficar perdidos, começam a agir descontroladamente sem respeitar seus limites e bordas! É complicado, primeiro porque o mundo no geral tem suas próprias regras (que todos cobram de si e dos outros mesmo sabendo que é impossível segui-las) e segundo porque cada seguimento do mundo tem suas exigências específicas, como sabemos, não podemos 'agir' de forma igual dependendo do lugar em que estamos! Resumindo: é impossível agradar e habitar todos os lugares! 

Não, eu não tenho que estar feliz (e muito menos fingir) em todos os momento. Sim, posso chorar em qualquer lugar e isso nada falará sobre a minha força. Não preciso ser forte e me manter sóbria para manter uma imagem, não preciso fechar as pernas e não falar palavrão para dizer que o meu gênero é feminino! Não preciso fazer minha unha toda semana e usar salto alto para me verem como adulta. Não preciso esperar um homem tomar a iniciativa para não ser chamada de puta, não preciso ser cristã para espalhar amor pelo mundo! Sim, tenho defeito pra cacete, sou chata, estressada, posso descontar meus desconfortos nos outros, posso cobrar algo às pessoas erradas e pedi-las para preencherem um vazio que é só meu; muitas vezes esqueço também que o tempo do outro não é igual ao meu. Já desejei ter a vida de muitos. 

Não acho feio ter defeitos, até porque não conheço ninguém que durma qualidade e acorde qualidade, é impossível (pra mim)! Sempre disse que a contradição é a nossa condição de humanidade, mas ultimamente entre o ser e o não ser há tanta negação que a contradição está perdendo seu lugar para a hipocrisia! 

Fonte da Imagem: https://www.facebook.com/monicacrema.art?fref=ts


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