"Ainda não fazem pessoas que enxuguem suas próprias mágoas..."

Para que servem as músicas que você escuta se não for para trazer aprendizado? Se não for para trazer ajuda? A música, para que serve se não for para traduzir o que você sente ai dentro do teu peito? E aqueles filmes, me diz, eles te vestem? Para que servem se não para te fazer ver na TV o drama da tua existência? Quando está triste e não consegue chorar você assiste “Dançando no Escuro” para transbordar? E sobre o último livro lido, me diz, ele fez algum sentido? Ele foi abrigo e te levou a mundos desconhecidos? Qual o teu título? Você conseguiria traduzir sua história em um parágrafo que constituiria a sinopse da sua existência? Sim, estou falando de você e não do livro. Se limitar é guardar segredo ou se anular? Quando você escreve é para você ou para alguém convencer? Você escreve mentiras ou se (des)constrói a cada linha? E quando você se lê você se vê ou custa a acreditar nas letras que afirmam revelar você? Mas afinal, quem é você? O que você está fazendo da sua vida? Nós tínhamos combinado que o espelho seria seu melhor amigo e você tinha me prometido que reconheceria sua imagem refletida e se relacionaria comigo através dela... Onde tua verdade se perdeu? Aliás, por que você me estacionou em uma rua sombria qualquer e continuou a seguir “destino afora” sem mim? Em que local exato do teu mapa eu passei a fazer parte do território desconhecido e inabitável por você? E eu continuo precisando saber por que foi tão difícil para você fazer morada em mim... Enquanto você já mudou a direção, eu ainda estou aqui tentando entender que local é este que existe quando você já não está mais perto. Sempre foi assim, enquanto a minha casa já estava pronta e eu a chamava de palácio, você ainda estava pesquisando o preço dos tijolos para formar a base da sua. Enquanto meu pão de queijo já estava exalando seu cheiro, você preferia ir comprar a sua massa pronta e se achava tão esperto por isso... E enquanto eu escrevo essas linhas e as minhas interrogações são para e sobre você, você já está escrevendo outra história; enquanto eu estacionei no fim, você já publicou inúmeras versões do seu “final feliz”.


E enquanto me pergunto até quando estarei presa no “enquanto” , você tenta de longe enxugar o meu pranto e me diz, atuando, que no seu passado é o meu canto. E hoje já não sei mais por que essa história continuo rimando... 

Deixa pra depois
O que já não precisa esperar
E tudo que não deu pra consertar
Por culpa do depois
Não tem jeito não
A gente sempre espera piorar
a gente sempre deixa de cuidar
do que já tem na mão
Mas é sem querer
Sem querer
       Cícero - Eu não tenho em barco


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