O (a)mar.

Eu preciso ir embora. Não posso continuar.
O meu barco estava ancorado e agora as tuas palavras me obrigam a partir deste lugar tão familiar e assustador ao mesmo tempo.
Hoje eu pulei do barco e aquelas nossas canções me engoliram como ondas destemidas
Eu prometi a mim mesma que não permitiria mais me afogar nessa tempestade de conflitos que há dentro dos teus olhos profundos.
Profundos como o amar ainda presente nas minhas terras desertas; nas minhas terras interditadas.
Eu desaprendi a nadar, acredite!
E as gotas das tuas águas não se envergonham ou empalidecem ao invadir e deixar os meus olhos marejados.
Eu, que antes era o teu próprio cais, hoje sou apenas uma simples folha que nada sozinha procurando por abrigo e fugindo desse caos.
Esse mar não cabe dentro de mim e transborda destruindo toda essa cidade de papel.
Ele é tão intenso que eu já nem sei mais se uso as metáforas ou sou usada por elas ao ousar em nadar dentro dessas águas tão turvas, tão tuas.
Acredito que nesse momento as metáforas me  escrevem
e esse mar se constitui apenas como o meu eu poluído
que ainda teima em habitar um ser vivo,
Você!



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