Querido amigo,

Querido amigo, você já leu o livro As Vantagens de Ser Invisível? pois bem, o moço protagonista da história escreve cartas a um amigo que, acredito eu, ele conhece, mas o menino, supostamente, não sabe quem é o anônimo remetente. Enfim, tenho coisas para te falar no anonimato, mesmo você me conhecendo, ainda e misteriosamente, tão bem. O que acontece, caro amigo, é que às vezes, só às vezes mesmo, sinto a sua falta, mas a diferença é que agora não há a presença daquela dor latejante e rasgada que me vestia outrora, lembra? Pois é, venho trocando de pele há um tempo e isso pode ser algo bom e ruim ao mesmo tempo, como a vida e suas inúmeras contradições bem como você sabe.

Na verdade, do nada hoje eu fiquei imaginando como seria esse mundo sem você, sem o brilho dos teus olhos pequenos ao sorrir, e  simplesmente o mundo não seria, sabe? Pelo menos o meu mundo não seria mais tão mundo assim. Eu aprendi a te ter de longe, aprendi a te querer bem de longe, aprendi a te criticar e a brigar contigo, nem que seja por pensamento, de longe, aprendi a sorrir contigo de longe, mas eu não seria capaz de aprender tão cedo a saber viver sem a sua existência nesse mundo. Sua existência, e toda a incógnita que a acompanha, é necessária demais. Muita gente chama isso de amor genuíno, já ouviu falar? Eu só chamo de amor.

Você pode estar se perguntando neste momento o porque de eu estar pensando na sua suposta morte e não, nem por um segundo quero que a sua vela se apague. Não é isso, é porque muitas vezes me utilizo deste cenário para entender o valor da vida e das pessoas que preenchem ela, e isso não tem nada a ver com ideação suicida nem nada desse tipo. Sabe quando alguém morre e só ai nós percebemos os valores da pessoa, os quais são muito maiores do que qualquer outra coisa? é mais ou menos isso, eu imagino o cenário e imagino tudo que eu deveria ter dito e feito para a pessoa, como ela está viva, eu vou lá e faço tudo que "imaginei". Deve ser esse o motivo de eu estar te escrevendo esta carta.

Hoje eu vi uma pipa presa em uma árvore bem alta. Achei tudo aquilo tão poético e, imagina só, comecei a narrar o que eu via e sentia, como se eu fosse a voz de fundo de algum filme independente, os filmes de baixo orçamento me encantam; na verdade, tenho essa mania de ficar narrando a minha vida, como e ela fosse mágica ou trágica demais para eu vivê-la em primeira pessoa. Estou pensando nisso tudo sobre mim só agora. Nossa!

A vida é frágil, querido amigo, e muitas vezes eu sou a linha que costura e ressignifica os meus próprios remendos. Estou cuidando de você de longe.

(Quase) Sempre com amor,
Amanda
Imagem Google







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