Eu soul?

Por muito tempo eu fui uma história contada sobre mim
E agora, o que me faz pensar que não sou um mero personagem de um enredo qualquer que me foi dado?
Eu sou aquilo que foi falado, mas que não poderia ser feito.
Sou a fuga para o silêncio das madrugadas que cantavam minha história.
E o que sou fora dessa gaiola?
Sou presa ou pressa?
Quem sou?
Sabe aquelas palavras que eu não pude vomitar?
Sou a acidez delas, sou sua forma ruminada.
Sou o que calo, o que ficou no silêncio, na sombra, no nada.
Tudo aquilo que neguei e me foi negado. 
Eu sou.
Sou todas essas cicatrizes que evidenciam minhas falhas ao mesmo tempo que me deixam mais forte.
Aquele grito dado para dentro que ecoa mais devastador do que qualquer outro som?
 Sou a dor desse grito que não pode ser exorcizado.
Sou o redemoinho existente no que parecia ser um mar ameno e vou arrastando comigo territórios sem bordas.
Aquele pedaço pequeno que foi arrancado de mim e por mim mesma, 
sou eu.
Estou naquela parte calada que precisou trasbordar pela expressão do olhar.
Sou o sono que não pode adormecer.
O desenho interrompido na escrivaninha.
A pausa que me impede de ler o que escrevo.
Sou aquela música que ninguém conhece, mas que todos sabem denunciar e julgar só pelo seu refrão.
Sou o final inexistente deste poema sem rima.
Soul

Modelo e fotografia da amada Hanna Kardenya 

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