O samba malandrinho do meu coração

Eu sou uma mulher cheia de sonhos e todos eles são bem recheados de medo, insegurança, falta de confiança e todas essas coisas que nos impedem de acreditar na vivacidade e na possibilidade deles se tornarem reais. Mas eu tento ir além. Eu sou cheia de pausas e até pontos finais; muitas vezes precisei abrir mão dos meus planos para começar do zero, tive sim, com todas as dores no peito, que abandonar todos aqueles cenários que já possuíam cor e espaço na minha alma; precisei, pouco a pouco, tomar outros caminhos para recomeçar as minhas andanças e reaprendi a dançar ao som das minhas dores. Não foi e não é fácil. Ninguém disse que seria! Precisei ter foco e seguir, com lágrimas ou sorrisos, o que eu realmente queria e querer era uma certeza, menos mal. Eu já repeti inúmeras vezes um acontecimento que doeu só para ver se eu não tinha deixado algo escapar, só para achar qualquer motivo que tornasse capaz a retomada à mesma estrada. E retomei. E doeu mais ainda. Aprendi que a dor não é motivo para desistência e que talvez o que nos faça sair daquela velha estrada seja o fato de sabermos andar de olhos fechados desviando de todos os buracos que almejam a nossa queda. Afinal, me diga, porque se manter entre buracos se é possível a escolha por ruas mais amenas? Chega uma hora que o buraco nos alcança, entende?! mesmo sabendo nós todos os seus possíveis nós.

Não temos o controle total das nossas vidas, ai de nós se tivéssemos. Teve outra fase da minha existência que eu era capaz de fazer de tudo para ser vista, doia rasgadamente cada vez que tais olhares me eram negados, mas aprendi que cada pessoa só olha para o que é capaz e que não dependia só de mim o sentimento que me era direcionado. Eu senti na pele o desamor, repetidamente. Várias vezes acreditei que eu não teria forças para desenhar novas possibilidades de existir. Várias vezes listei todos os motivos pelos quais eu não merecia ser feliz. Repeti, várias vezes, que eu não conseguiria de ir além dos meus planos. Tudo isso várias vezes. E ainda hoje, vez ou outra, caio no mesmo abismo; ainda bem que tal abismo, pelo menos o meu, tem fim. Independente do sentimento de derrota, sempre acreditei no meu nado e lá no fundo, do meu pensamento ou do abismo, eu sei, não importa quando, que voltarei a nadar.

E quando eu estou de volta à superfície meu sorriso é maior do que tudo que foi e não é mais, sabe? Eu deixo, sem arrependimentos, que a felicidade tome conta de mim. Sim, já acordei nas madrugadas barulhentas com o meu coração pesado, a dor era tão grande que a sensação era como se tivesse uma mão envolvendo com força o meu coração. E talvez houvesse mesmo uma mão ali que não fosse a minha. Mas, voltando à felicidade, sou capaz de acordar o mundo com o som do meu coração palpitando um samba bem malandrinho. Pense num órgão malandro esse meu, ele não só bombeia sangue, ele bombeia muita vitalidade.

Enfim, estou aprendendo, porque a vida é esse eterno processo, que os conflitos que nos pausam são os mesmos que movimentam a nossa existência. Eles preenchem as nossas neuroses cotidianas e não adianta tentar viver sem eles. Certo? O que posso fazer é vestir uma roupa bem leve para passar por eles da forma mais saudável possível.

No meio de tudo isso haverá um filme e muita comida na cama, apenas porque eu mereço.
Imagem Google


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