50 tons de vermelho

Diante dessa luz baixa, dessa música instrumental de fundo, desse aperto leve e profundo no peito, diante de toda essa história que me veste e me alcança, diante de todos esses medos e faltas e vazios e ecos; diante dessa alma que ainda tem tanto para ser e expandir, diante de todas essas palavras repetidas e do clichê que é a vida, diante dessa rima pobre e desse ritmo puro: eu me rendo. E vou me rendendo com rendas coloridas e, seguindo por caminhos desconhecidos e familiares, remendos vão me cobrindo e me descobrindo mais forte. Sigo dando forma ao meu existir e me desconheço nos reflexos dos cacos de vidro espalhados pelo chão...

Há cansaço. Ando com todas essas feridas expostas ao sol. Vejo-me odiando o sol. Vejo-me questionando o seu papel na minha vida. Eu deveria ser a minha maior estrela... Não sei. Talvez eu nunca deixe de arder, talvez eu nunca deixe de doer, talvez a solução seja a eterna dúvida.

Se ao menos eu fosse congruente ou falasse a minha língua de forma fluente eu não iria aos lugares que não combinam com os meus passos, eu não falaria por meio de linguagens efêmeras, eu não deixaria o sol me arder, mas é tão difícil se manter sempre na sombra, entende? 

É necessário dar continente ao calor que vale a pena a ardência, pois existem fogos que formam queimaduras que duram uma vida, mas existem outros tons de vermelho que se assemelham ao fluxo de vitalidade que caminham firmes e persistentes pelos labirintos que constituem nosso corpo.

A vida não é sobre doer ou não doer. Sempre doerá. A questão é saber quais são os tons de vermelho que valem a ardência, entende? A questão é ter em mente qual fogo nos aquecerá.

Imagem Google

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