Carta sobre 2015

Hoje tive a sensação de que as notas de agradecimentos aos anos que estão indo embora estão cada vez mais preenchidas de reclamações, frustrações e desespero. Nenhum ano está sendo suficiente e sempre evidenciam as mortes, as perdas e tudo que não deu certo. Não é que eu seja um poço de positividade, estou muito longe disso, mas esses escritos e discursos estão me deixando -um pouco- preocupada e cansada! Sei lá, a sensação que dá é que a vida está cada vez mais longe do humano e tudo está muito mecânico e robotizado. Se eu quero algo, tem que ser agora. Tem que ser do meu jeito. Tem que ser e ponto. E se eu não conseguir sou a pessoa mais sofrida do mundo e nunca mais terei uma chance de novo. Talvez as pessoas nem pensem em tudo isso ao evidenciar tudo que não deu certo, mas as reclamações são tantas que é essa a impressão. Me parece que a caminhada não importa, só onde se quer chegar. Só o fim, nunca o começo ou o caminhar.

Eu acredito que temos a possibilidade de escolher onde queremos estar e, se queremos tal lugar, cabe a nós buscarmos. Eu acredito que, por mais que eu queira uma coisa, ela não vai cair do céu, mesmo que eu acredite muito no poder que existe no simples e poderoso ato de acreditarmos. Eu acredito que muita coisa ruim acontece, está acontecendo e sempre acontecerá na minha vida e no mundo todo, mas eu ainda posso escolher para onde olhar e focar, eu posso escolher sofrer eternamente ou aprender com a possível derrota e erros, pois eles existem e também fazem parte de quem sou e de onde estou. Não, nada disso é fácil e dói muito ter uma vontade frustrada ou uma frase silenciada dentro da gente, mas isso é a vida; querer que tudo seja sincrônico e perfeito não é a forma mais saudável de lidar com a realidade, na minha opinião.

Esse ano não foi fácil, mas eu aprendi e continuo aprendendo com ele o que eu nunca pensei que poderia aprender em tão pouco tempo. Aprendi com as dores e dessabores dos meus semelhantes e me reconheci em muitos olhares; aprendi a respeitar meus limites e até onde eu realmente consigo ir, a parar quando eu queria ir além. Aprendi a pedir ajuda e a deixar cuidar de mim, não é fácil. Aprendi que o amor é algo leve e que faz muito bem um relacionamento saudável. Aprendi e ainda estou aprendendo que eu não tenho condições de seguir por esses caminhos sem mãos segurando nas minhas. Me vi sendo sombra, me vi e não me reconheci, me vi e me amei. Estou aprendendo a me ver. A me perceber. Tive muitos medos e ansiedades, mas me vi dona da minha vida e se eu não quis estudar, não estudei. Se eu não quis sair da cama, não sai. E almejo seguir me ouvindo. 

Muitas das minhas escolhas e metas não são fáceis, mas são as minhas escolhas e formas que escolhi seguir com a minha vida. Não sou responsável por como me veem, mas sou responsável pela forma que decidir seguir. Se amanhã eu quiser ser diferente, tentarei e buscarei ser. Não esperarei o ano novo, farei o possível para seguir minha voz interior no momento em que ela falar dentro de mim, o que pode ser a qualquer momento. Assim como a vida.

E é por isso e por outros motivos que eu desejo "Feliz Ano Novo" todos os dias, que possamos reclamar menos e ter mais atitudes. Que esperemos menos pelos outros e sejamos o condutor da nossas próprias vidas. Desejo muito impulso e potência para os atuais e futuros voos.