Como um sapato velho...

O problema começa quando ele nem precisa começar para ser um problema, o problema está justamente no fato que causa a não percepção da sua existência e quando finamente deixamos que este, o problema, emerja à superfície é um acontecimento que nos deixa surpresos. É como aquela sapatilha que usamos há tempos, mas que passa a machucar fazendo calo só agora, entende?! Como se alguma coisa tivesse ativado o seu material chinfrim, o que passou a castigar os meus pequenos pés.  Talvez, até mesmo o fato dela ser velha tenha sido a causa do meu martírio ao caminhar; acredito que ela já conheça os meus passos e esteja apenas sinalizando que agora eu devo peregrinar por outros caminhos. Quem sabe...

Daqui até ouso e ouço ela falar: tu tas indo pelos mesmos caminhos e caindo nos mesmos buracos, preciso fazer doer para te fazer parar? Talvez sim, querida sapatilha, infelizmente tem coisas na vida que levam tempo para que se possa escolher tomar novos rumos, outras vezes nem se trata de escolha, sabe?! Porém, sigo caminhando e esse seu recado me mostra que eu não preciso de você para ir traçando o que quero para o meu hoje.

O plano é ressignificar esses calos para que eles curem e não me machuquem quando eu for andar com novos pares. Escolherei os pares mais confortáveis para que estes combinem com a leveza e sutileza que almejo para o meu caminhar. 

Caminhemos, então.            
Foto de Hanna Kardenya