Chovendo

Hoje eu sou chuva
Porque resolvi desaguar
Porque resolvi transbordar
Porque resolvi pingar cada gota minha que não me preenche mais
e continuo pingando
e continuo desaguando o que não mais me cabe. 

Quando eu chovo, é porque a enchente não aguenta mais residir em mim
Água parada não possibilita o florecer
E, com isso, permito que minhas águas decidam novos locais
e elas seguem o fluxo
e passam a habitar novas possibilidades
Novas estiadas
Chovendo vou conhecendo novas esquinas e novas formas de me tornar sólida

Transbordo, me perco
e tudo vai embora
Às vezes, tudo volta
Porque o percurso pode mudar de direção.
Não tem erros ou acertos no caminho das minhas águas
Quando se está chovendo, o caminho é incerto
E a única certeza é que estou em movimento
Sou movimento
E sigo.


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