"Num indo e vindo infinito..."

Tem coisas na nossa vida que vive nos chamando, geralmente são coisas e fatos que fazem parte de quem nós somos ou lutamos para não ser, sabe? Existem mares muito devastadores, os quais entramos sem ter muita noção da sua profundidade e, quando pensamos que vamos conseguir mergulhar, somos engolidos por eles. Tão bonitos e tão poluídos são esses mares que me cercam. Quando há o esclarecimento que tais águas não nos fazem bem, começa a luta que faz parte do processo de aprendizagem de nadar contra a maré. Dói demais nadar contra a correnteza, aquela que suga, que é invasiva, aquela que não me deixa discursar o meu real desejo de nadar; todavia, são as águas em que me reconheço, são as águas da minha nascente... fica difícil.
Por muito tempo eu não entendia o motivo de estar afogando. Talvez eu ainda não saiba, mas as próprias águas me ensinaram que eu posso fluir. Portanto, escolhi ir além e estou descobrindo o meu próprio continente, os limites que as minhas águas conseguem conquistar. Às vezes as minhas águas encontram aquelas outras águas poluídas. Às vezes eu me pego sem controle do meu fluxo, do meu movimento e isso ocorre quando as águas se misturam, fico sem saber onde estou.
E, com isso, vou filtrando minha existência. Aprendendo com ela a lidar com minha história e com cada pingo meu que possui uma potência tão tênue. Tão híbrida. Mergulho nas minhas próprias águas para saber qual parte de mim ainda pode me afogar e vou aprendendo a boiar quando minha maré enche. Porque nenhuma água é mansa, nenhuma água é pura. Há sempre multidões nos mares.

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