Certezas

Tanta gente com tanta certeza de tanta coisa, 
certeza do que não existe, certeza do que são, certeza de quem são todos eles. 
É tanta certeza que não sobra espaço para mais nada: 
nem para si, nem para o outro, muito menos para nós. 
É certeza do que aconteceu, do que poderia ter acontecido 
e de todos os motivos certeiros do que nem chegou a acontecer. 
Tanta certeza. Que se perde a leveza, a possibilidade ou quem sabe... 
Tanta certeza que sufoca de tanta certeza, 
certeza engasgada de certeza, certeza que só come certeza, certeza que só sabe certeza. 
Certeza que, no fundo, não sabe de nada. 
Que necessidade é essa, Certeza? 
Certeza que cega, que mata a cada ponto final e que não cede espaço para nenhuma interpretação pessoal. 
Certeza que não tem linguagem poética, que não fala a linguagem da alma. 
Para quem falas, então?! 
Certeza que não pode ter dúvidas, Certeza que não pode errar 
e muito menos perceber que toda certeza erra.
Certeza que culpa que acusa que exclui e que exclui novamente dizendo barbáries de forma maquiada. Máquinas. Certezas que geram máquinas. 
E já não se sabe o que se faz, 
não se sabe mais o que se questiona, 
não se sabe mais pelo que se luta. 
E o que se vê são Certezas andando à Chaplin, 
não o Chaplin do discurso, mas aquele da clássica cena da fábrica que apenas é, 
mas que não sabe nem ao menos quem.
É apenas uma Certeza que carrega várias consigo.



Nenhum comentário:

Postar um comentário